Começava a sentir-me “obrigado” a escrever um artigo decente para cá colocar. Não que esteja à espera que este seja lido por mais que uma ou duas pessoas (se tanto) mas nem que seja para retirar o peso da consciência.
O tema da praxe parece estar a surgir em vários blogs e as opiniões dividem-se. Muito devido à recente proibição por parte do IST da mesma.
Antes de mais devo dizer que este é o segundo ano consecutivo em que me dou a praxar. Sim porque ninguém é praxado contra a vontade (ou será?). O ano passado entrei em Aveiro em Eng. Computadores e Telemática e este ano estou em Eng. Informática em Coimbra na FCTUC.
Estive em Aveiro durante o primeiro semestre e sempre participei na praxe. Das praxes da nobre instituição que é a Universidade de Aveiro a de ECT é considerada das mais (senão mesmo a mais) “puxada”. Não vou esconder que durante os primeiros dias a praxe me custava e não entendia o seu propósito. Não passava de um sacrifício.
Passadas várias tarde a cantar (ou melhor, berrar) canções, com as mais variadas mistelas na cabeça, com um saco de lixo enfiado no corpo, a fazer flexões a torto e a direito, sinto que a praxe foi importante.
Foi importante na minha integração, não digo que esta seja impossível sem ela, mas é, sem qualquer dúvida, mais demorada.
Existem excepções, houve várias actividades que considerei exageradas e sem nexo. Certa tarde os veteranos consideraram como castigo dar como almoço um ovo kinder e uma garrafa de água. Isto para uma tarde inteira de esforço físico. Por acaso nesse dia não estive presente mas se estivesse seria provavelmente dos primeiros a dizer não. Nessa mesma tarde segundo me foi dito rastejaram todos os caloiros da cantina do Campus até ao parque da cidade, estamos a falar de quase 1km penso. Acho que houve falta de quem dissesse que não o faria.
Os primeiros meses de universidade para alguém que está fora e longe de casa e sem colegas conhecidos são extremamente complicados. São estas actividades que tornam os colegas de curso unidos e incutem o sentimento de pertença.
O exagero nas praxes é algo estúpido e acho que apenas tem lugar quando o(s) caloiro(s) não sabe(m) dizer não.
A Universidade do Minho acho que é um bom exemplo disso. Foi uma das minhas opções de candidatura e já tinha como algo preconcebido tornar-me anti-praxe se lá entrasse. Já é conhecida a “praxe” de lá e os seus típicos exageros. Acho que isto não é mais que motivo de vergonha para a Universidade e para o curso.
A praxe foi criada para a integração dos caloiros e não para que os doutores/veteranos (seja o que for) se sintam superiores.
No geral, acho a praxe positiva. A ideia é promover a integração e quando isto não acontece não se devia de sequer se chamar praxe. Fora os exageros que são cometidos nalgumas instituições aconselho todos os meus colegas e conhecidos a participarem nela ou a, pelo menos, experimentarem durante uns dias e depois tirarem conclusões.
A acrescentar que a experiência até agora em Coimbra tem sido boa. =)